‘Orgulho e Preconceito’ vira musical com canções de Chitãozinho e Xororó

Orgulho e Preconceito“, clássico de Jane Austen (1775-1817), já foi recontado das mais variadas maneiras. Serviu de inspiração para a série de livros “O Diário de Bridget Jones“, da inglesa Helen Fielding, e até ganhou personagens mortos-vivos na paródia “Orgulho e Preconceito e Zumbis”, de Seth Grahame-Smith.
Agora, a trama é contada por meio de músicas que ficaram conhecidas na voz da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó em “Nuvem de Lágrimas”, musical que estreia nesta quinta (5) em São Paulo.
Luciano Andrey, que divide a direção do espetáculo com Tania Nardini, conta que há tempos queria fazer uma produção do gênero.
Quando comecei o projeto, vi que muitos colegas tinham vontade de fazer um musical sertanejo. Sertanejo é música popular brasileira. Dizer que não pode virar musical é uma bobagem.”

CheC

Na pesquisa, afirma que achou em Chitãozinho e Xororó um bom resumo do gênero. “Eles são a Madonna do sertanejo. Representam bem todas as fases, do sertanejo de raiz ao universitário.”
A dupla não participou da produção, mas assistiu a ensaios finais. “Achamos inovador e ousado um musical todo sertanejo, por não ceder a nenhum tipo de preconceito em relação ao gênero”, relata Xororó. “É muito interessante ver esse gênero da cultura popular associado a um clássico da literatura.”
Para o roteiro, escrito por Anna Toledo, buscou-se um recurso comum na Broadway: dar roupagem moderna a um clássico da literatura –como “O Despertar da Primavera” (2006), versão rock do livro de Frank Wedekind (1891).
“São universos muito distintos, mas ao mesmo tempo há uma semelhança: aqui a gente fala de uma cultura sertaneja e, no livro, Jane Austen retrata o campo inglês.”

FIO DE CABELO
“Nuvem de Lágrimas”, porém, não segue à risca a trama do clássico de Austen.
A Inglaterra do início do século 19 dá lugar ao interior paulista dos anos 1990 (quando o sertanejo eclodiu). Elizabeth Bennet, a jovem protagonista do romance, vira Bete Borba (Lucy Alves), gerente de uma cooperativa agrícola que sonha em deslanchar na música ao lado da irmã mais velha, Jane (Adriana Del Claro).
Logo no início, Bete se desentende com o advogado Darcy (Gabriel Sater, filho do violeiro Almir Sater), que faz uma reclamação à cooperativa sobre um erro de português na embalagem das famosas geleias da mãe dela (papel de Rosana Pena).

A diferença social entre os protagonistas rende mais brigas, mas logo cessam o embate e o preconceito: eles se aproximam ao descobrirem a paixão comum pela música.
Já o núcleo mais velho tem sua história ampliada –descobre-se, por exemplo, que a mãe de Bete tem outro caso de amor em seu passado.
São eles que protagonizam os clássicos mais antigos, como “Fio de Cabelo”, entoada por Zé Henrique de Paula, que interpreta o pai de Bete.
“Pra gente foi importante trazer esse amor mais maduro para não cair só na questão social, no papel da mulher, que era outro na época de Jane Austen”, diz Andrey.
O repertório do musical segue com canções mais dançantes, como “Bailão de Peão”, e os arranjos também trazem variações do sertanejo, como o folk e o country.

Os atores são acompanhados de uma banda de oito músicos, mas fica a cargo dos próprios intérpretes tocar muitos dos instrumentos, em especial violões e sanfonas.

NUVEM DE LÁGRIMAS
QUANDO qui., às 21h; sex., às 21h30; sáb., às 17h e às 21h; dom., às 19h; até 20/12
ONDE Teatro Bradesco – shopping Bourbon, r. Palestra Itália, 500, tel. (11) 4003-1212
QUANTO de R$ 25 a R$ 190
CLASSIFICAÇÃO livre

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