Jorge sendo Jorge

Ídolo: “pessoa ou coisa intensamente admirada, que é objeto de veneração”. Sempre achei essa palavra, “ídolo”, muito forte. E, ela passar a ser ainda mais forte para o profissional, esportista, artista ou sei lá o que, quando se torna referência de adoração por uma multidão de pessoas. O Brasil vive um hiato de grandes ídolos. Lembro-me do Ayrton Senna, o Gustavo Kuerten (Guga), pessoas que tinham carisma, patriota, solícitos, referência em suas profissões, exemplo de conduta fora dos holofotes, claro, também errando como todo ser humano.

Citei esses dois esportistas, por justamente serem “neutros”, e conseguirem reunir multidões de admiradores. Poderia também citar o Rogério Ceni, mas, aí estaria falando apenas dos torcedores do São Paulo, praticamente. Assim, também, como poderia mencionar o Marcos do Palmeiras, o Ronaldo do Corinthians, Neymar do Santos… Senna e Guga, pra mim, são exceções. São ídolos que conseguem ter a admiração de diferentes tribos, classes sociais, e de simpatizantes de outros esportes.

Feita a introdução, partiu sertanejo. Com os ídolos esportistas cada vez mais escassos em nosso meio, nasce, então, a figura do artista “ídolo”, como forma imediatista de ter um pouso seguro, alguém que possa preencher um espaço, uma lacuna, uma carência, e por aí vai. Confesso que foi um pouco complicado “digerir essa nova tendência”. Em um universo, onde atualmente o a embalagem tem mais importância do que o conteúdo, a proliferação de novos ídolos em massa, confundem até mesmo os fãs.

Amar um rosto bonito, um corpo sarado, parece que é o padrão de novos ídolos hoje em dia. Mas, há também quem fuja desse estereótipo padrão imposto pela sociedade. O cantor Jorge, que faz dupla com Mateus, é o exemplo maior de ídolo, pra mim, atualmente, no Brasil. A dupla por si só já consegue ter o respeito e a admiração de profissionais de outros segmentos musicais, assim como admiradores de outros gêneros que não seja o sertanejo. Em outras palavras. Jorge & Mateus tem a capacidade de reunir no mesmo estádio, torcedores do São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos…

O Jorge, não tem o rosto do Luan Santana. O Jorge não tem o corpo do Lucas Lucco. O Jorge não tem as tatuagens do Gusttavo Lima. Mas, o Jorge, sozinho, tem a capacidade de reunir virtudes como carisma, humildade, respeito, profissionalismo, que dificilmente pode ser visto em um artista no patamar que atingiu. Luan Santana, Lucas Lucco, Gusttavo Lima, entre outros, também tem seus admiradores, e se fosse para falar de cada um, ficaria parágrafos e parágrafos apontando seus valores. Escolhi escrever do Jorge, por ser, pra mim, um fenômeno de artista.

O cara é rei em quebrar protocolos. “Jorge, não desce do palco”. De repente, ele tá debruçado, cantando, abraçando e tirando fotos com os fãs. No mesmo instante, ele se mistura no meio do público, e então, não existe mais o Jorge artista. Até parece que é ele quem suplica para se aproximar do fã para tirar uma foto, e muitas vezes, olhar no olho e chamá-lo pelo nome, como se o show fosse um local apenas de reencontro entre amigos. Um reencontro entre Jorge e seus amigos. Acho que ser ídolo é isso. Ser simples assim. Ter respeito e gratidão por quem te admira.

Que, não somente a música sertaneja sirva de berço, mas, que novos ídolos nasçam de outros lugares. Que novos Jorges, possam fazer valer a condição e título de ídolo. Que antes mesmo deles se elegerem, eles possam ser eleitos e abraçados pelo público, tão sedento de carinho e afeto. Que venham novos ídolos! Que venham novas referências! Que venham novos Jorges

Por: Diego Vivan
Assessor de Imprensa
Almanaque Sertanejo

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