Com o avanço das redes sociais e a facilidade que temos de ser quem queremos ser, é possível utilizarmos a internet para todo tipo de ação, inclusive iludirmos as pessoas, e a nós mesmos. E, no ramo profissional? Principalmente na música sertaneja, também é possível ludibriarmos, e vender o nosso próprio sonho, fazendo de um trabalho sério, uma situação lúdica, sem conseguir mensurar o retorno de todo um investimento? Sim. Manipular números e resultados – não apenas nas redes sociais, como em rádio – por ego e em busca de um confronto entre artistas e escritórios, não apenas é possível, como é real.

Com a quantidade absurda de artistas – e cada vez surge mais – praticamente todos os dias tem lançamento de música nas redes sociais, e no rádio. Você que é fã ou acompanha algum artista através das redes sociais, já deve ter visto que em um determinado dia ele fez uma postagem dizendo a data do lançamento da música ou do clipe, e logo no dia seguinte, já postou que a música foi primeiro lugar nas rádios de uma determinada região e ou estado, ou que o clipe conseguiu algumas centenas de milhares ou até mesmo milhões de visualizações, no Youtube.

Pois bem. Qual o mal nisso? Esses números podem ser facilmente manipulados e em alguns casos inventados. No caso do Youtube, muitos artistas compram visualizações, ou investem financeiramente direto no canal, impulsionando de uma forma legal o vídeo. Porém, o objetivo é o mesmo, conseguir que os números de views subam. No caso da compra dos acessos, o Youtube consegue identificar, e já derrubou mais de dois bilhões de visualizações falsas, geradas por serviços que empregam “métodos automatizados de aumentar a contagem de exibições”. A informação é da The Daily Dot.

Ainda sobre o Youtube, mas, no caso da compra “legal” de acessos, através de um investimento financeiro direto no site, não quer dizer que, quem esteja assistindo, é fã do artista em questão ou do gênero, e ele pode muito bem, no primeiro segundo de execução do clipe, fechar a página. Pronto, foi contabilizado seu investimento, gerou a visualização, mas, o consumidor não consumiu o produto. O empresário e ou o artista em questão, através do número de visualizações, iludido com o seu próprio “investimento”, procuram vender que a música já se tornou hit, sendo que a quantidade de “likes” do vídeo, e o número de inscritos do próprio canal do artista não refletem, em sua totalidade, a verdade das visualizações.

Como outro objeto de estudo, vamos falar do rádio, que para a grande parte dos contratantes tem como referência para a contratação de shows. Assim como na vida, na música não é diferente. Vale aquela velha máxima que “nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que brilha é diamante”. No mercado, existem algumas ferramentas – entre elas, a Connectmix – que, através delas são possíveis o monitoramento, de uma forma eficiente, para saber se, de fato, a música está sendo executada nas rádios, e quantas vezes ela tocou durante o dia. Isso também é uma forma de saber se o investimento financeiro feito está valendo a pena ou não, entre outras estratégias.

Através desse sistema de monitoramento, é possível descobrir divulgadores e até mesmo empresários e artistas que “customizam” relatórios, colocando só emissoras que lhes interessam, ou em alguns casos que os beneficiam. Além disso, também é possível confrontar execuções reais, com execuções divulgadas pela rádio ou pelo artista em suas redes sociais, de forma que, esse mesmo artista, possa mostrar para seus “concorrentes” números ilusórios. Isso acaba sendo mais uma (tentativa) artimanha do escritório ou do artista para ludibriar o mercado, a concorrência, e os próprios fãs.

Mesmo procurando fazer tudo certo, sabemos o quão complicado é prosperar no mercado musical por diversos fatores. E para alcançar um patamar de destaque, não existe uma receita pronta, como a de um bolo, que levamos ao forno, tiramos, e pronto. Mas, com certeza, manipular informações não é uma delas. Conciliar dentro do custo e realidade do artista, o trabalho de divulgação das músicas, em rádio e redes sociais (Youtube, Facebook, Instagram e blogs), e o acompanhamento de sua aceitação para com o público, através de ferramentas eficientes, pode não ser o caminho mais curto para o objetivo, mas, é o mais verdadeiro e próspero.

Por: Diego Vivan / Almanaque Sertanejo

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